domingo, 25 de março de 2012


TEXTO DE THEREZA COLLOR
 
Publicado por Mendonça Neto, Jornal Extra - Rio de Janeiro . 
 
Carta aberta ao Senador Renan Calheiros 
 
"Vida de gado. Povo marcado. Povo feliz". As vacas de Renan dão cria 24 h por dia. 
Haja capim e gente besta em Murici e em Alagoas! 
Uma qualidade eu admiro em você: o conhecimento da alma humana. 
Você sabe manipular as pessoas, as ambições, os pecados e as fraquezas.. 
 
Do menino ingênuo que eu fui buscar em Murici para ser deputado estadual em 1978 
- que acreditava na pureza necessária de uma política de oposição dentro da ditadura militar 
- você, Renan Calheiros, construiu uma trajetória de causar inveja a todos os homens de bem
que se acovardam e não aprendem nunca a ousar como os bandidos.
 
Você é um homem ousado. Compreendeu, num determinado momento, 
que a vitória não pertence aos homens de bem, desarmados desta fúria do desatino, 
que é vencer a qualquer preço. E resolveu armar-se. Fosse qual fosse o preço, 
Renan Calheiros nunca mais seria o filho do Olavo, a degladiar-se com os poderosos Omena, 
na Usina São Simeão, em desigualdade de forças e de dinheiros. 
 
Decidiu que não iria combatê-los de peito aberto, descobriria um atalho, mil artifícios para vencê-los, 
e, quem sabe, um dia derrotaria todos eles, os emplumados almofadinhas que tinham empregados 
cujo serviço exclusivo era abanar, durante horas, um leque imenso sobre a mesa dos usineiros, 
para que os mosquitos de Murici (em 
Murici, até os mosquitos são vorazes) não mordessem a tez rósea de seus donos: 
Quem sabe, um dia, com a alavanca da política, não seria Renan Calheiros o dono único, 
coronel de porteira fechada, das terras e do engenho onde seu pai, humilde, 
costumava ir buscar o dinheiro da cana, para pagar a educação de seus filhos, e tirava o 
chapéu para os Omena, poderosos e perigosos.
 
Renan sonhava ser um big shot, a qualquer preço. 
Vendeu a alma, como o Fausto de Goethe, e pediu fama e riqueza, em troca. 
 
Quando você e o então deputado Geraldo Bulhões, colegas de bancada de Fernando Collor, 
aproximaram- se dele e se aliaram, começou a ser Parido o novo Renan.
 
Há quem diga que você é um analfabeto de raro polimento, um intuitivo. 
Que nunca leu nenhum autor de economia, sociologia ou direito.
Os seus colegas de Universidade diziam isso. Longe de ser um demérito, essa sua espessa 
ignorância literária faz sobressair, ainda mais, o seu talento de vencedor.
Creio que foi a casa pobre, numa rua descalça de Murici, que forneceu a você o combustível do ódio
à pobreza e o ser pobre. 
E Renan Calheiros decidiu que, se a sua política não serviria ao povo em nada, 
a ele próprio serviria em tudo. Haveria de ser recebido em Palacios, em mansões de milionários, 
em Congressos estrangeiros, como um príncipe, e quando chegasse a esse ponto, 
todos os seus traumas banhados no rio Mundaú, seriam rebatizados em Fausto e opulência;
"Lá terei a mulher que quero, na cama que escolherei. Serei amigo do Rei." 
 
Machado de Assis, por ingênuo, disse na boca de um dos seus personagens:
"A alma terá, como a terra, uma túnica incorruptível. " 
Mais adiante, porém, diante da inexorabilidade do destino do desonesto, ele advertia: 
  "Suje-se, gordo! Quer sujar-se? Suje-se, gordo!" 
 
Renan Calheiros, em 1986, foi eleito deputado federal pela segunda vez.
Nesse mandato, nascia o Renan globalizado, gerente de resultados, ambição à larga, 
enterrando, pouco a pouco, todos os escrúpulos da consciência. 
No seu caso, nada sobrou do naufrágio das ilusões de moço!
Nem a vergonha na cara. 
O usineiro João Lyra patrocinou essa sua campanha com US$1.000 dinheiro que era entregue, 
em parcelas, ao seu motorista Milton, enquanto você esperava, bebericando, 
no antigo Hotel Luxor, av. Assis Chateaubriand, hoje Tribunal do Trabalho.
E fez uma campanha rica e impressionante, porque entre seus eleitores havia pobres 
universitários comunistas e usineiros deslumbrados, a segui-lo nas estradas poeirentas das Alagoas,
extasiados com a sua intrepidez em ganhar a qualquer preço. 
O destemor do alpinista, que ou chega ao topo da montanha - e é tudo seu, montanha e glória - ou morre. 
Ou como o jogador de pôquer, que blefa e não treme, que blefa rindo, 
e cujos olhos indecifráveis Intimidam o adversário.
E joga tudo. E vence. No blefe.
Você, Renan não tem alma, só apetites, dizem. E quem, na política brasileira, a tem?
Quem, neste Planalto, centro das grandes picaretagens nacionais, atende no seu comportamento
a razões e objetivos de interesse público? 
ACM, que, na iminência de ser cassado, escorregou pela porta da renúncia e foi reeleito 
como o grande coronel de uma Bahia paradoxal, que exibe talentos com a mesma sem-cerimônia 
com que cultiva corruptos? 
José Sarney, que tomou carona com Carlos Lacerda, com Juscelino, e, agora, 
depois de ter apanhado uma tunda de você, virou seu pai-velho, 
passando-lhe a alquimia de 50 anos de malandragem? 
 
Quem tem autoridade moral para lhe cobrar coerência de princípios? 
O presidente Lula, que deu o golpe do operário, no dizer de Brizola, e hoje hospeda no seu Ministério 
um office boy do próprio Brizola?

Que taxou os aposentados, que não o eram, nem no Governo de Collor, 
e dobrou o Supremo Tribunal Federal? 
No velho dizer dos canalhas, todos fazem isso, mentem, roubam, traem. 
Assim, senador, você é apenas o mais esperto de todos, que, mesmo com fatos gritantes de improbidade, 
de desvio de conduta pública e privada, tem a quase unanimidade deste 
Senado de Quasímodos morais para blindá-lo. 
 
E um moço de aparência simplória, com um nome de pé de serra - Siba - 
é o camareiro de seu salvo-conduto para a impunidade, e fará de tudo para que a sua bandeira 
- absolver Renan no Conselho de Ética - consagre a sua carreira. 
Não sei se este Siba é prefixo de sibarita, mas, como seu advogado in pectore, 
vida de rico ele terá garantida. 
Cabra bom de tarefa, olhem o jeito sestroso com que ele defende o chefe... 
É mais realista que o Rei. 
E do outro lado, o xerife da ditadura militar, que, desde logo, previne: quero absolver Renan. 
 
Que Corregedor!. .. Que Senado!...Vou reproduzir aqui o que você declarou possuir de bens em 2002 ao TRE. 
Confira, tem a sua assinatura: 
 
1) Casa em Brasília-DF, Lago Sul, R$ 800 mil, 
2) Apartamento no edifício Tartana, Ponta Verde, Maceió, R$ 700 mil, 
3) Apartamento no Flat Alvorada, DF, de R$ 100 mil, 
4) Casa na Barra de S Miguel, AL de R$ 350 mil . 
 
E SÓ. 
 
Você não declarou nenhuma fazenda, nem uma cabeça de gado!! 
Sem levar em conta que seu apartamento no Edifício Tartana vale, na realidade, mais de R$1 milhão, 
e sua casa na Barra de São Miguel, comprada de um comerciante farmacêutico, 
vale mais de R$ 2.000.000. 
, Renan, você DECLARA POSSUIR UM PATRIMONIO DE CERCA DE R$ 5.000.000,00. 
 
Se você, em 24 anos de mandato, ganhou BRUTOS, R$ 2 milhões, como comprou o resto? 
E as fazendas, e as rádios, tudo em nome de laranjas? 
Que herança moral você deixa para seus descendentes? . 
 
Você vai entrar na história de Alagoas como um político desonesto, 
sem escrúpulos e que trai até a família.. 
Tem certeza de que vale a pena?
Uma vez, há poucos anos, perguntei a você como estava o maior latifundiário de Murici. 
E você respondeu: "Não tenho uma só tarefa de terra. 
A vocação de agricultor da família é o Olavinho.
" É verdade, especialmente no verde das mesas de pôquer! 
 
O Brasil inteiro, em sua maioria, pede a sua cassação. 
Dificilmente você será condenado. 
Em Brasília, são quase todos cúmplices. 
Mas olhe no rosto das pessoas na rua, leia direito o que elas pensam, 
sinta o desprezo que os alagoanos de bem sentem por você e seu comportamento 
desonesto e mentiroso. 
Hoje perguntado, o povo fecharia o Congresso.
Por causa de gente como você! 
 
Por favor, divulguem pro Brasil inteiro pra ver se o congresso cria vergonha na cara. 
Os alagoanos agradecem. 
 
Thereza Collor

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

MEUS OLHOS SÃO SEUS OLHOS

Queridos amigos, para seu conhecimento e divulgação dentro de suas possibilidades!
Pensando nos que não vêem, segue abaixo um serviço:
Audioteca Sal e Luz 

Venho por meio deste e-mail divulgar o trabalho maravilhoso que é realizado na Audioteca Sal e Luz e que corre o risco de acabar.
A Audioteca Sal e Luz é uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos, que produz e empresta livros falados (audiolivros).

Mas o que é isto? 

São livros que alcançam cegos e deficientes visuais (inclusive os com dificuldade de visão pela idade avançada), de forma totalmente gratuita.

Seu acervo conta com mais de 2.700 títulos que vão desde literatura em geral, passando por textos religiosos até textos e provas corrigidas voltadas para concursos públicos em geral. São emprestados sob a forma de fita K7, CD ou MP3.

Ajude-nos, divulgando esta mensagem!!!

Se você conhece algum cego ou deficiente visual, fale do nosso trabalho, DIVULGUE!!!
Para ter acesso ao nosso acervo, basta associar-se.  Nossa sede situa-se à Rua Primeiro de Março, 125 - Centro - RJ.  Não precisa ser morador do Rio de Janeiro.

A outra opção foi uma alternativa que se criou face à dificuldade de locomoção dos deficientes na nossa cidade.
Eles podem solicitar o livro pelo telefone, escolhendo o título pelo site, e enviaremos gratuitamente pelos Correios.

A nossa maior preocupação reside no fato de que, apesar do governo estar ajudando imensamente, é preciso apresentar resultados. Precisamos atingir um número significativo de associados, que realmente contemplem o trabalho, senão ele irá se extinguir e os deficientes não poderão desfrutar da magia da leitura.

Só quem tem o prazer na leitura, sabe dizer que é impossível imaginar o mundo sem os livros...

Ajudem-nos. Divulguem!

Atenciosamente,

Christiane Blume - Audioteca Sal e Luz - Rua Primeiro de Março, 125 - 7º Andar. Centro - RJ. CEP 20010-000
Fone: (21) 2233-8007
Horário de atendimento: 08:00 às 16:00 horas 

http://audioteca.org.br/noticias.htm <http://audioteca.org.br/noticias.htm> 

 

A Audioteca não precisa de Dinheiro, mas de DIVULGAÇÃO! Então conto com a ajuda de vocês: repassem! Eles enviam para as pessoas de graça, sem nenhum custo. É um belo trabalho! Quem puder fazer com que a Audioteca chegue à mídia, por favor fique à vontade. É tudo do que eles precisam.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O BRASIL É HOJE A VERSÃO 2.0 DA ESPANHA 2003

MENSAGEM RECEBIDA ATRAVÉS DO SKYPE. NÃO SEI O AUTOR NEM A MÍDIA EM QUE FOI PUBLICADO.

[14:41:10] mafpessoa: O Brasil é hoje a versão 2.0 da Espanha de 2003, diz economista espanhol!

Para Santiago Nino Becerra, Brasil segue o mesmo caminho adotado pela Espanha, de endividamento e de crescimento pelo crédito

A Espanha é "irresgatável" e seus crescimento nos últimos anos foi "baseado numa ficção". O alerta é de uma das principais referências hoje na Espanha, o economista Santiago Nino Becerra, autor de dois livros sobre a crise econômica que afeta o país. Em entrevista ao Estado, o economista diz que um resgate para a Espanha custaria 800 bilhões à UE e ao FMI, dinheiro que "simplesmente não existe". Becerra também alerta que há sinais claros de que o Brasil está seguindo o mesmo caminho de endividamento e de crescimento pelo crédito adotado pela Espanha há dez anos. "O Brasil hoje é a Espanha de 2003, em versão 2.0."

A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como, depois de anos de euforia, a Espanha chegou a essa situação? A festa não era real?

A festa em todo o mundo tem sido uma ficção e ainda é uma ficção nos países onde continua. Quando a capacidade de endividamento se esgotou, o pagamento da dívida se tornou impossível.

Como o sr. explica que ninguém na classe política viu essa ameaça e a criação de bolhas?

Certamente sabiam. Mas tinham de ignorar essa possibilidade. O hiperendividamento era, desde o final dos anos 80, a única opção para crescer.

O sr. já alertava para os riscos em 2006. O que diziam as pessoas ao ouvir essa advertência?

Quem me escutava admitia que o crescimento da dívida era insustentável. Na Espanha, entre 1996 e 2005, a dívida privada cresceu 140%.

Na segunda-feira, quando um novo governo assume o poder, há coisas que ele possa fazer diferente do governo atual para solucionar a crise?

Na segunda-feira, alguém ligará para Moncloa (palácio do governo) e perguntará pelo presidente do novo governo e dirá a ele que pegue papel e lápis para tomar nota do que terá de fazer o novo governo do Reino da Espanha. Isso se já não lhe foi dito.

Depois de Portugal, Irlanda e Grécia, a Espanha é resgatável?

A Espanha é irresgatável, assim como a Itália. Seriam necessários uns 800 bilhões, valor que simplesmente não existe.

Os planos de austeridade terão efeitos sociais profundos. Serão suficientes para tirar os países da crise?

O problema não é o gasto, e sim a arrecadação. Ao não crescer, a arrecadação é reduzida e a renda pública cai. Como os países europeus têm compromisso de déficit, a única possibilidade é o corte de gastos públicos, mesmo que isso deprima ainda mais a economia.

O Brasil vive um boom. A Espanha pode servir de lição sobre como não fazer as coisas?

Acredito que o Brasil vive uma situação virtual como a que viveu a Espanha de 1995 a 2007. Pelo que eu sei, a economia brasileira navega em um mar de créditos no qual o governo incentiva o consumo de tudo, como ocorreu na Espanha. Para "resolver" a questão da distribuição de renda, o Brasil deu acesso a crédito a um porcentual enorme da população. Algo parecido com o que ocorreu na Espanha. De 1997 a 2007, os salários reais dos espanhóis só cresceram 0,7%. Mas a população consumiu de tudo. Penso que o Brasil hoje é a Espanha em 2003, numa versão 2.0.


Conectem o que está escrito acima com essa outra reportagem (ambas no Estadão):

BC incentiva crédito no momento em que dívida de brasileiro bate recorde!

BRASÍLIA - O governo volta a incentivar o crédito para o consumo em um momento que, teoricamente, tem ingredientes arriscados: brasileiros nunca deveram tanto e nunca comprometeram parcela tão grande do salário para pagar as dívidas. Desde a crise de 2008, quando o governo aumentou a oferta de crédito para manter a economia aquecida, a dívida total dos brasileiros saltou 80,7% e o valor das parcelas pagas mensalmente cresceu 60%. Enquanto isso, o salário aumentou bem menos: 33,3%.

Dados do Banco Central revelam que o endividamento das famílias está no nível mais alto da história: pessoas físicas devem cerca de R$ 715,19 bilhões aos bancos em operações das mais simples, como o microcrédito e o cheque especial, até financiamentos longos, como o imobiliário e de veículos, passando pelo caro cartão de crédito.

Segundo o BC, cada brasileiro deve atualmente 41,8% da soma dos salários de um ano inteiro, um recorde. Há pouco mais de três anos, quando começou a crise de 2008, brasileiros deviam o correspondente a 32,2% de sua renda de 12 meses.

Pela metodologia usada nesses cálculos, o endividamento é o total das dívidas de uma família em relação à sua renda somada em um ano.

Seria como dizer que, na média, cada um dos mais de 192 milhões de brasileiros deve atualmente R$ 3.724 às financeiras e bancos. No início da crise passada, quando o Brasil tinha 2 milhões de habitantes a menos e o governo ainda não havia incentivado o crédito, o endividamento médio era de R$ 2.093.

Receituário repetido. O diretor de política econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, disse no começo do mês que a instituição não está preocupada com o aumento do endividamento das famílias porque o prazo praticado pelos bancos cresceu e os juros têm caído. Além disso, o mercado de trabalho e a renda seguem em expansão. "Percebe-se que o endividamento das famílias cresce, mas o comprometimento da renda tem se mantido", disse na ocasião.

Nos últimos dias, o BC retirou parte das amarras impostas ao crédito no fim do ano passado. Com o objetivo de aumentar a demanda interna, foram anunciados incentivos para financiamentos voltados ao consumo - como o crédito para veículos, pessoal e consignado. Além disso, o juro básico da economia cai desde agosto com o mesmo objetivo de baratear o crédito, incentivar o consumo e, assim, reduzir os efeitos da crise internacional. O receituário é bem parecido com o usado na crise de 2008.

Mas o quadro tem, gradualmente, mudado. Apesar do esforço para incentivar a economia interna, as forças geradas pelo complicado quadro global têm aparecido cada vez mais: estoques elevados, produção industrial cada vez mais lenta e desaceleração na geração de empregos.


Conclusão: essa farra do crédito fácil no Brasil não vai acabar bem!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Fim de linha: Fecha a última fábrica de máquina de escrever mecânica do mundo

Notícias Internacionais
Postado por José Attico   
Ter, 07 de Junho de 2011 16:32
Jawaharlal Nehru, imortalizado pelo seu povo como Pandit, "professor", foi o primeiro governante da Índia depois da traumática ruptura com o Império Britânico, em 1947. Para Nehru, que dirigiu o país até morrer, em 1964, a inauguração da primeira fábrica de máquinas de escrever representou a arrancada da jovem nação rumo à industrialização, ao futuro.
Naqueles longínquos anos 50, o polo industrial da Godrej & Boyce Manufacturing Company, erguido na cidade de Mumbai, veio se juntar a colossos ocidentais do ramo, como a Remington, a Hammond, a Underwood, a Adler-Royal, a alemã Olympia e a italiana Olivetti.
Máquinas de escrever: ferramenta usada até os anos 70 nas redaçõesMáquinas de escrever: ferramenta usada até os anos 70 nas redaçõesA fábrica indiana produzia 50 mil máquinas ao ano e abastecia Indonésia, Filipinas, Sri Lanka, Angola, Moçambique e Marrocos, países ávidos por teclados não europeus. Prático, eficiente e de fácil manejo, o invento conseguiu sobreviver até o mês passado, driblando as versões elétricas e sobrevivendo aos computadores de mesa, aos laptops e, mais recentemente, aos IPads.
É compreensível que seu último bastião tenha sido a Índia, país de industrialização desigual e capenga. Embora integrando o time das nações ditas emergentes, agrupadas na sigla Bric (Brasil, Rússia, Índia, China e que agora incluiu a África do Sul), e invejada pelas suas taxas de crescimento efervescentes, a Índia ainda tem perto de 400 milhões de pessoas sem acesso a energia regular e confiável. Daí que boa parte dos cartórios, repartições públicas e delegacias do país continuasse, até há pouco, a trabalhar na pré-história tecnológica.
No mês passado, com o anúncio do fechamento da última fábrica mundial de máquinas de escrever manuais, voltou-se a celebrar a arrancada da Índia rumo ao futuro.
A unidade instalada em Shirwal já havia sido desativada dois anos antes e transmutada em fábrica de geladeiras. Com o fechamento da unidade de Mumbai, colecionadores luditas agora se estapeiam para conseguir comprar as 200 últimas unidades do inventário.
A invenção da máquina de escrever costuma ser atribuída ao inglês Henry Mills, em 1713. Era destinada a cegos, chegou a ser patenteada, teve o aval da rainha Ana Stuart, mas jamais saiu do papel. A partir daí, a intermediação da mecânica no milenar ofício de escrever empunhando pincéis, penas, tintas, lápis, carvão e tantos outros artefatos manuais foi dando saltos. Houve uma primeira versão com teclado de autoria do italiano Pellegrino Turri, várias versões que só comportavam caracteres maiúsculos, modelos que lembravam máquinas de costura (com pedal e gabinete), pianolas ou construções de metal de formas desvairadas.
Houve até mesmo o audacioso projeto de um brasileiro, Francisco João de Azevedo, da Paraíba do Norte (atual João Pessoa), cujo protótipo foi apresentado na Exposição Industrial e Agrícola de Pernambuco, de 1861. A invenção lhe teria sido surrupiada pelo tipógrafo americano Christopher Latham Sholes. Embora jamais tenha sido patenteado, e nunca chegou a ser fabricado, o invento do professor de matemática brasileiro permanece no panteão nacional da máquina de escrever mecânica.
O fato é que Sholes aperfeiçoou a engenhoca de forma a que as hastes com os caracteres não se embaralhassem umas às outras. E solucionou a necessidade de haver letras minúsculas e maiúsculas. Ele acabou vendendo a patente à fábrica de armamentos Remington, à época ociosa devido ao fim da Guerra Civil Americana (1861–65).
As Remington, por seu lado, passaram a ser fabricadas em série, seu preço caiu e se espalharam pelo mundo letrado. Desde que Mark Twain estreou como o primeiro escritor a batucar seus textos em quatro fileiras de teclas, a literatura adotou o invento como companheiro inseparável.
O ruído da alavanca sendo acionada com urgência, do caractere tocando obedientemente na fita, do carro se movendo da esquerda para a direita, das teclas pressionadas ora com hesitação, ora com majestosa certeza – tudo, numa máquina de escrever mecânica, fazia barulho, mas nada era estridente. O som servia de companhia ao usuário.
"Até hoje sinto prazer em usar uma máquina de escrever manual para determinadas ocasiões", conta o americano Richard Polt, professor de filosofia em Cincinnati e um dos mais renomados colecionadores do mundo. "Frequentemente, desligo o computador para escrever o primeiro esboço de algum trabalho mais sério numa máquina mecânica. É a maneira mais garantida de não cair na tentação de abrir meus e-mailsou ficar me distraindo com outras coisas na internet. O bom das máquinas antigas é que você só pode fazer uma única coisa com elas: escrever."
Polt edita a ETCetera, publicação para aficionados, e mantém um site na internet –The Classic Typewriter Page – que abriga material de consolo para quem sofre de abstinência de conquistas passadas. "Máquinas de escrever manuais são para os ousados, os audaciosos, os que arriscam. Os perfeccionistas, em suma. Por quê? Uma vez que uma tecla é acionada, não há mais volta. Se você errar, só lhe restará recolher-se à sua vergonha e tentar camuflar o erro", escreveu um frequentador assíduo.
Rino Breebaart, outro escriba das antigas, apontou para a banalidade de um texto digitalizado no computador: "O sentido de esforço na criação e na produção se perde – na versão final você simplesmente homogeneíza e limpa tudo, apagando qualquer marca de hesitação, dúvida ou embate físico."
No Brasil, o paulistano Fernando Costa estoca uma coleção de quase 100 máquinasantigas, adquiridas ao longo de duas décadas de garimpo. Nas estantes de seu apartamento, que mantém aberto à visitação pública, convivem belíssimas Hammond modelo 1 com uma Sholes & Glidden da qual muito se orgulha. O exemplar mais antigo de seu tesouro data de aproximadamente 1870.
No presente, a carreira das sucessoras do original mecânico – as máquinas elétricas – é bem menos cintilante. Contatado para explicar por que desmente que o fechamento da Godrej & Boyce significa o fim de uma era, o americano Edward Michael, gerente de vendas da fábrica Swintec, de Nova Jersey, esclarece: o que acabou foram apenas os dinossauros mecânicos. Mas as linhas de montagem de máquinas de escrever elétricas e eletrônicas continuam a pleno vapor. "Para atender a demanda, temos fornecedores na China, Japão e Indonésia, entre outros", disse o executivo da Swintec.
Sua principal clientela é cativa. Literalmente: vive atrás das grades. Os Estados Unidos têm a maior população carcerária do mundo: 2,3 milhões de detentos. Ou seja, 745 para cada grupo de 100 mil habitantes. Proibidos de usar computador, ou mesmo máquinas de escrever eletrônicas com mais de 7 quilobytes de memória, como em Nova York, ou 64 quilobytes, no estado de Washington, a população carcerária americana é garantia de longa vida para uma indústria tão confinada quanto os seus usuários.
Dorrit Harazim/Estadão

domingo, 18 de dezembro de 2011

CORREIO DO BRASIL _ "PRIVATARIA TUCANA"

Teixeira é citado em Privataria Tucana como receptador de milhões de dólares em propina

16/12/2011 11:59,  Por Redação - do Rio de Janeiro
Ricardo Teixeira
A situação de Ricardo Teixeira está cada vez mais complicada no cenário político brasileirao
A Polícia Federal, que já investigava uma série de denúncias contra o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), encontrou no livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr. A Privataria Tucana mais munição para seguir adiante com a tarefa de levantar o sumiço e posterior regresso de bilhões de reais desviados durante o processo de privatização das maiores companhias estatais do país, entre elas a Vale do Rio Doce, a Companhia Siderúrgica Nacional e a Telebras. Em seu livro, Amaury Jr. revela que parte dos recursos pagos em propinas e depositados em paraísos fiscais serviram para comprar fazendas e empresas no Brasil.
O repórter e dois outros jornalistas, Luiz Carloso Azenha e Tony Chastinet, obtiveram documentos inéditos na Junta Comercial e em cartórios do Rio de Janeiro e na Suíça, os quais comprovariam a veracidade das denúncias de corrupção e evasão de divisas que pesam sobre o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Entre estes documentos, encontrava-se uma listagem com as datas dos pagamentos da propina, “que revelaram as coincidências já esperadas”, diz Amaury Jr., no início do livro. O dinheiro sujo seguiu direto para o principado de Liechtenstein, na Europa, para uma conta da empresa offshore Sanud Etablissement, “no total de US$ 9,5 milhões”, revela A Privataria Tucana.
“A relação demonstra que o primeiro meio milhão de dólares foi pago à Sanud em agosto de 2002, um mês antes de a offshore tornar-se sócia da RJL [empresa ligada a Ricardo Teixeira e ao ex-presidente da Federação Internacional de Futebol Associado (Fifa)]. Imediatamente, a Sanud injeta R$ 2,8 milhões na empresa de Teixeira. O dinheiro, justificado como aumento de capital integralizado pela Sanud, é investido numa fazenda do presidente da CBF em Piraí, interior do Rio. Um ano depois, a RJL coloca mais R$ 1 milhão em uma transportadora dos irmãos Ricardo e Guilherme Teixeira, no mesmo município” relata Amaury Jr.
Teixeira também tem sido alvo de frequentes ataques do ex-craque de futebol e hoje deputado federal Romário (PSB-RJ), que o acusa de receber propinas de empresários ligados ao esporte. Romário chegou a sugerir a renúncia de Teixeira dos cargos de presidente da CBF e do Comitê Organizador Local (COL) da Copa de 2014, caso o nome dele apareça no dossiê que será divulgado, ainda este mês, com os nomes dos envolvidos no suposto caso de recebimento de propina envolvendo a empresa de marketing ISL, citada na Privataria Tucana como fonte de recursos ilícitos para Teixeira.
– O senhor depôs na Polícia Federal sobre as denúncias do jornalista Andrew Jennings (da agência britânica de notícias BBC), de que o senhor teria recebido propina. Fala-se em um acordo para manter nomes em sigilo. O senhor recebeu propina? Se seu nome aparecer, o senhor renunciará à presidência da CBF e do COL? – indagou Romário, em recente depoimento tomado na Câmara dos Deputados.
Teixeira limitou-se a dizer que as perguntas de Romário estavam “fora de contexto” e que iria processar Jennings. Indignado com o episódio, Romário disparou:
– Minhas perguntas não foram respondidas. O brasileiro tem direito de saber com quem está lidando. Isso é, sim, importante para a Copa do Mundo. Me desculpa, mas isso aqui está parecendo um circo.
Empréstimo sem cobrança
Em seu livro, Amaury Jr. também relata como a empresa de Teixeira nunca precisou pagar por um empréstimo de R$ 1,8 milhões, tomado no exterior.
“Em 1994, quando a Sanud continuava recebendo dinheiro em Liechtenstein, sua sócia no Brasil continuava apostando nos negócios de Teixeira. Documentação registrada em cartório atesta que, nesse período, a RJL colocou mais de R$ 1,8 milhão no restaurante El Turf, aberto por Teixeira no bairro carioca do Jardim Botânico. Outros papéis, levantados pela CPI da Nike, da Câmara Federal, que investigou em 2001 os negócios suspeitos da CBF e de Ricardo Teixeira, provaram que a integralização de capital da Sanud na RJL de fato nunca existiu. No balanço contábil, a RJL justifica R$ 1,8 milhão como empréstimo concedido pela Sanud. O problema é que o empréstimo nunca foi pago e tampouco cobrado”, informa.
“Por mais bizarro que possa parecer, até pouco tempo transações desse tipo, maquinadas de famosos escritórios de advocacia tributária, movimentaram grande parte da lavanderia montada para clarear e trazer ao país o dinheiro sujo escondido no exterior. Viraram-se uma febre porque emprestavam uma faceta legal serem registradas no Banco Central. Quando se associavam às empresas brasileiras, as offshores, além de receber um CPF, tornavam-se aptas a trazer dinheiro do estrangeiro por meio de operações cambiais. E, nesse caso, o controle sobre tais operações e feito apenas por meio de amostragem…”, acrescentou.
“As transações eram justificadas como investimentos em empresas brasileiras. Em outras palavras, uma fatia graúda dos recursos introduzidos no Brasil como sendo investimentos estrangeiros – em operações com essas ou transações casadas na Bolsa de Valores – não eram nada disso. Era tão somente o retorno, devidamente lavado, do dinheiro sujo da corrupção e do crime organizado, antes hospedado nos paraísos fiscais”, conclui Amaury Jr. em A Privataria Tucana.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Governo (Revista VEJA)

Fraude eleva custo de projeto da Copa-2014 em R$ 700 mi 

Escândalo teve como palco o Ministério das Cidades, do enrolado Negromonte. Documento que vetava alteração em projeto do MT foi adulterado pela pasta

Mário Negromonte
Mário Negromonte (Joedson Alves/AE)
já enrolado ministro das Cidades, Mário Negromonte, ganha nesta quinta-feira mais um escândalo para adicionar ao currículo. Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo informa que, com o aval do titular da pasta, o ministério alterou o projeto de infraestrutura de Cuiabá (MT) para a Copa do Mundo de 2014, elevando para 1,2 bilhão de reais o custo das obras – 700 milhões de reais a mais do que o orçamento original.
Para tanto, a diretora de Mobilidade Urbana do ministério, Luiza Viana, fraudou o parecer técnico que negava ao governo do Mato Grosso a possibilidade de alterar o projeto inicial, construindo um Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) ao invés de uma linha rápida de ônibus. Tudo foi feito com o aval do chefe de gabinete de Negromonte, Cássio Peixoto. E, a partir de então, o ministério passou a respaldar o projeto.
O acerto para a mudança no projeto foi feito diretamente entre o governo de Mato Grosso e o Palácio do Planalto. Para isso, o estado utilizou-se, justamente, do parecer fraudado. O documento original, assinado pelo analista Higor Guerra, desautorizava a mudança tendo em vista problemas de custo, prazos e falta de estudos que comparassem as duas modalidades de transporte. Antes de adulterar o documento, Luiza chegou a pedir a Guerra que fizesse outro parecer. O analista não só se negou, como pediu demissão da pasta pouco depois.
Ainda segundo o jornal, Luiza afirmou a assessores que teria tomado a decisão após receber telefonemas de Peixoto, o braço direito do ministro, e Guilherme Ramalho, coordenador-geral de Infraestrutura da Copa de 2014 do Ministério do Planejamento. "Nós fizemos outra nota técnica, com o mesmo número sim, e mudamos o conteúdo", afirmou a diretora, em reunião na última segunda-feira. A fraude teria ainda a participação da nova gerente de projetos da pasta, Cristina Soja.
Resposta - Em nota enviada ao jornal, o Ministério das Cidades não respondeu por que existem duas notas técnicas de número 123/2011 sobre o projeto de Cuiabá para a Copa do Mundo. Afirmou apenas que há um parecer com esse número, assinado pela diretoria e gerência de Mobilidade Urbana da pasta, "concordando com a defesa técnica do estado e aprovando a mudança na matriz de responsabilidade apresentada pelo governo do estado".
A nota, porém, admitiu que houve divergência interna por parte dos técnicos. "Seguindo o rito processual da administração pública, os técnicos envolvidos no trabalho discutiram, analisaram e reavaliaram a pertinência ou não do novo modelo de transporte proposto pelo governo do estado, tendo manifestado opinião divergente ao parecer final, opinião essa que foi revisada e refutada tecnicamente no momento da conclusão da análise". 
Escândalos - Reportagem de VEJA revelou, em agosto, informações que foram levadas à ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, por parlamentares do PP. Em guerra aberta com uma parte da legenda pelo controle do partido, Negromonte estaria transformando o ministério num apêndice partidário e usando seu gabinete para tentar cooptar apoio. Segundo relatos dos deputados que foram convocados para reuniões na pasta, as ofertas em troca de apoio incluem uma mesada de 30.000 reais para quem aderir.
Embora tenha se segurado no cargo, Negromonte já estaria na mira da presidente Dilma Rousseff. Reportagem do jornal O Globo informa nesta quinta que o Planalto já deu início às articulações para a reforma ministerial que a presidente pretende promover no início do ano que vem - e mandou um recado tanto ao PP de Negromonte quanto ao PDT de Carlos Lupi, outro ministro que enrolou-se com mentiras após a revelação de desmandos na pasta de comanda, o Trabalho: nenhum dos dois seguirá no governo. No caso do PP, o Planalto teria garantido ao partido que a pasta seguirá sob comando da legenda. Já os pedetistas, nem sequer essa garantia tiveram.