domingo, 14 de setembro de 2008

SAUDADES

Noite escura... algo na estrada, bem na frente do carro... uma freada desesperada... barulho de pneus deslizando no chão... um barulho enorme e a escuridão total! e a locomotiva continuou seu caminho, puxando os vagões atrás de si...

Um homem ainda jovem, segundos atrás em plena saúde, médico querido pelos seus pacientes, uma esposa, dois filhos (também médicos) e uma netinha que ele adorava, jazia inerte dentro do carro. Nesse momento, aquele homem generoso e, fundamentalmente bom, entregava sua alma a Deus.

Ao lado do carro, um motociclista caído no chão entrava em coma profundo.

A estrada sem sinalizacão de qualquer espécie, avisando o perigo dos trens, fazia mais duas vítimas de uma só vez, que se somariam às outras vítimas da irresponsabilidade das autoridades encarregadas da seguranca dos cidadãos nas estradas.

O tempo vai passando, mas o som daquela colisão que somente ele e o motociclista ouviram na escuridão da noite, vai permanecer para sempre no coracão dos que o amavam.

Somente hoje, alguns meses depois da morte estúpida do meu irmão, tive coragem de escrever sobre isso.

A sua figura elegante, o seu violão, a sua voz, permanecerão guardados no meu coracão, até que um dia voltemos a nos encontrar em outro patamar de vida na eternidade...

Um comentário:

sollario disse...

Tudo muito rápido e triste.São os designos de Deus, é só o que podemos dizer. Nós conforta saber que ele foi um homem que praticava o amor ao próximo.
Beijos, Edna